terça-feira, outubro 17, 2006

Acabou a Crise!

Finalmente acabou a crise!
Após algum tempo de silêncio, que por motivos alheios à minha vontade me vi obrigado, volto ao contacto com a Terra.
É o acabar da crise das comunicações entre este planeta e esse aí que vou observando de longe, mesmo que tenha estado remetido a um silêncio prolongado.
Não! Não pensem que isto tem haver com a OPA da SONAE sobre a PT ! Isso não tem nada de crise se acabarem com a mensalidade obrigatória que por razão nenhuma somos obrigados a pagar na rede fixa.
Coincidência ou não o Ministro da Economia veio anunciar que a crise acabou!
Ora se acabou a crise, vamos todos auferir melhores ordenados, os professores vão deixar de se manifestar porque a sua progressão na carreira fica resolvida, as fábricas vão deixar de se deslocalizar e os portugueses vão deixar de ir de férias para o estrangeiro, o que têm feito cada vez em maior número neste período de crise e vão passar a ir para o Algarve que fica mesmo aqui a dois passos.
Como é bom saber que acabou a crise!

terça-feira, agosto 01, 2006

Ai Portugal, Portugal

Alô…Alô Terra… aqui quem está chamando é da Lua.
Não! Não me reformei, nem tão pouco fui proferir palestras a qualquer galáxia aqui perto.
Quem escolheu a minha profissão, sabe que ela é de desgaste rápido e que nos ocupa quase todo o tempo do mundo.
Mas, sempre posso ir observando o que se passa aí em baixo.
As últimas deixaram-me com uma vontade enorme de mudar de emprego. Podia muito bem virar “palestrante” e quem sabe se os C T T me contratavam, pagando o que pagaram a Luiz Felipe Scolari, nada mais, nada menos, que 19 mil euros, em 45 minutos, por uma dissertação sobre o fortalecimento de grupo.
Bem, mas se não tiver essa sorte, que tal me reformar, sem eu próprio saber muito bem de quê, a não ser que a Caixa Geral de Aposentações me escreva, aqui para a Lua, a informar que pelo tempo que já levo neste planeta, tenho direito a uma aposentação de mil euros por cada mês de estadia.
O Agosto está aí! Enquanto uns se preparam para ir para fora, os nossos emigrantes regressam às suas terras natais e muitos constatam, que tudo está na mesma, desde a altura que partiram. Chegam e vão para tomar um banho, reconfortante, depois de milhares de quilómetros de viagem, quando espantados verificam que as torneiras apenas deixam passar o ar das canalizações. Lá terão que ir ao fontanário, acartar água em cântaros para a casinha que construíram com o suor deixado noutras paragens, onde os dinheiros públicos são aplicados para o bem comum e não são distribuidos só por alguns.
Apetece-me ligar o MP3 e ouvir Jorge Palma:
...
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar
...
Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

quinta-feira, junho 29, 2006

Postal da Lua

Não! Não desci deste mundo de silêncio e luz para aterrar aí na Alemanha.
Poderão ter pensado que por ausência de mensagens aqui de cima, tinha sido contagiado pela a febre do futebol. Mas não!
Acontece que mesmo aqui na Lua a burocracia de envio e entrega de dados tem que obrigatoriamente ser efectuada, com o risco de eu poder vir a pagar caro a sua omissão.
Mas, fui sempre espreitando aí para baixo. Que bom foi ver o nosso pequeno país evoluir vertiginosamente no inicio do século XXI.
Gostei de ver o Sr. Primeiro Ministro, nos Correios de Portugal, com um ar feliz e com a pompa e circunstancia que o acto merece, mostrar ao mundo, Portugal, como país da linha da frente, no que se refere às novas tecnologias.
Ri-me, aqui em cima, que ninguém me ouve, quando uma “carteira” se dirigiu “ao Sr. José Sócrates” entregando uma carta registada e exigindo a identificação para esta lhe ser entregue, ( a humildade de uma profissional que não facilita no exercício de uma profissão tão digna como qualquer outra ) seguida do anúncio de que cada português passava a partir daquele momento a possuir uma caixa de correio electrónico.
Para a abertura da conta de correio de electrónico, já não estava uma “carteira”, mas sim uma modelo, vsetida de vermelho (a cor dos Correios!) que tinha que ser loira, alta e com peitos a condizer.
As minhas gargalhadas ecoaram pelo firmamento.
Um país onde em algumas zonas não são satisfeitas necessidades básicas, como o saneamento ou a agua canalizada e onde nas grandes cidades há pessoas a viver em situações no limiar da pobreza, já podem receber a titulo gratuito correspondência, via Internet, a ser paga pelas empresas!
Poderão dizer-me: - Sim! Ok! Mas o país apesar de tudo tem que evoluir. Concordo! Mas no que diz respeito aos Correios, por favor, não acabem com os “carteiros”, pois eles são por vezes os únicos seres humanos a visitar lugares inóspitos e a levarem uma palavra de conforto a quem vive isolado, seja numa recôndita aldeia beirã ou num prédio degradado da capital.
E para acabar, não podia deixar de me lembrar do “Postal dos Correios” dos Rio Grande, que bem pode ser um “postal aqui da Lua”:
“….
Mas falemos de coisas bem melhores
A Laurinda faz vestidos por medida
O rapaz estuda nos computadores
Dizem que é um emprego com saída
...
Espero que não demorem a mandar
Novidades na volta do correio
A ribeira corre bem ou vai secar?
Como estão as oliveiras de "candeio"?
...
Já não tenho mais assunto p’ra escrever
Cumprimentos ao nosso pessoal
Um abraço deste que tanto vos quer
Sou capaz de ir aí pelo Natal
Um abraço deste que tanto vos quer
Sou capaz de ir aí pelo Natal

terça-feira, junho 06, 2006

Eu Vi !

A Lua hoje está bonita, radiosa.
Eu não sei bem o que está a acontecer na Terra.
Sinto que há festa. Noto aqui de cima que bem no centro da Europa, as cores mudaram. Deixaram de ser cores frias para ser cores quentes. Predominam o bordeaux e o amarelo, e flutua, ainda que timidamente, a esperança, representada por um verde aquecido pelos corações lusos.
Eu, desde o primeiro dia, também tenho aqui a bandeira, que por falta de gravidade, está sempre firme e hirta, como deverão estar os jogadores, desde o primeiro apito do árbitro.
Mas, na Lusa Pátria, também predomina a cor branca, certamente da paz, com inscrições: “Eu Vou!”
No último Domingo a cor escureceu, mudando as inscrições para: “Eu Fui!”.
Eu, aqui no mundo da Lua, coloquei como é moda, por estes dias aí em baixo, o cachecol de Portugal, e vesti uma t´shirt branca, dizendo:
“ Eu Vi!”.
E se foi bom ver e voltar a ouvir, Roger Waters, Santana, Sting, GNR, Xutos & Pontapés, Red Hot Chili Peppers ou mesmo Shakira.
Não sei porquê, mas teimam em chamar-lhe “Rock in Rio”. Aqui desta distância, o único rio que vislumbro é o Tejo, mas quem sabe se na minha ausência, algum ser humano criou um rio chamado Belavista!
Estou vestido de branco! A paisagem de um branco luminoso!
O fogo de artifício, que encerrou a festa, e os foguetes que os lusitanos disparam neste momento, de e para a Alemanha, não podiam ser o pronuncio, da passagem de alguém que faz parte do meu imaginário, das minhas raízes, para junto do seu companheiro de sempre, na arte do espectáculo e da música.
Por isso, imagino as crateras, como S. Paulo de Loanda e canto:

“Amanhã, vou acender uma vela da muchimba
Amanhã, levo para os meus santos, flores de acácias
Amanhã, peço p’ra toda a gente que me estima
Amanhã, peço pr’o novo dia que virá…

Vou andar por aí com o meu violão
Vou à motamba, tomo um machibombo qualquer …

Aiuehh…
Que é que vai fazer amanhã meu irmão?!

terça-feira, maio 30, 2006

Praga !

As imensas obrigações que tenho de cumprir, ou seja a recolha e processamento de dados a enviar, tem feito que, penso eu, talvez pudessem sentir a minha falta de comunicação com Terra.
Mas, hoje é fim-de-semana, e mesmo no Mundo da Lua, também tenho direito a retemperar forças e contactar a base aí em baixo.
- Alô Terra…alô Terra… aqui nave 100 nome a chamar …escuto!
- Terra a responder… diga Lua… escuto!
- Simmm… vejo daqui de cima em plena costa uma espécie de nevoeiro… digam se há alguma alteração no clima….escuto!
- Podemos dizer que sim…ou melhor… repentinamente isto aqueceu….
- Não me digam que arranjaram aí outro escândalo, para entreter o Zé-povinho?
- Nada disso… a temperatura subiu…e uma corrente de ar quente vinda de África…
- Iiiiiiiiiiii… a tal nuvem é alguma tempestade de areia?
- Ugg… acontece que o povinho com tanto calor debandou até às praias…
- Mas… vai-me dizer que o que eu vejo daqui é a população a banhos? Não me parece…
- Eheheheh… de facto é … mas acompanhada de uma nuvem de mosquitos que querem disputar o areal com as pessoas…
- Isso não se faz… o povo passa o tempo em filas intermináveis durante a semana, de casa para o emprego, e do emprego para casa, o calor faz a sua aparição, logo uma praga estraga os planos de um belo bronze…?

quinta-feira, maio 18, 2006

Stress Lunar

Hoje resolvi enriquecer os meus conhecimentos. Como tinha algum tempo livre, aproveitei para ler “O Calinas On-Line”.
Leitura obrigatória dos conimbricenses, “ O Diário de Coimbra “, ficou assim apelidado pelas “calinadas” e gralhas, que aconteciam noutros tempos, chamando-lhe muitos, simplesmente: “O Calino”.
Ora com o advento das novas tecnologias, também ele está disponível na Internet, o- que- para- quem- como- eu está “No Mundo da Lua” é óptimo, pois vou sabendo noticias da cidade onde moro, na Terra, e lendo os diversos artigos de opinião.
Despertado pelo sugestivo título “ Stress do casamento!” escrito pelo Prof. da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Salvador Massano Cardoso, acabo por ler em voz alta a parte final do artigo:
“… Afinal, casar é positivo para o homem, que pode ganhar mais 1,7 anos de vida. Nada mau! Mas para as mulheres, o caso muda de figura, já que correm o risco de, em média, perderem 1,4 anos de vida! Quanto às causas, o investigador alemão aponta para o trabalho de casa, a tendência para imitar comportamentos masculinos, por exemplo, passando a fumadoras ou serem fumadoras passivas e, curiosamente, o facto da actividade sexual regular ser pouco benéfica para a longevidade das mulheres e muito benéfica para os homens! Mas, mesmo assim elas vivem muito mais do que eles…”
Fito a elevação de uma cratera do solo lunar e reflicto:
-Por um lado, as célebres dores de cabeça e o cansaço têm organicamente um motivo: “a actividade sexual regular ser pouco benéfica para a longevidade das mulheres.”, por outro lado, a minha decisão de vir sozinho para a Lua, faz-me correr o risco de perder anos de vida, o que me pode provocar um autêntico “ Stress Lunar”.

quarta-feira, maio 10, 2006

Psicanálise Lunar

Hoje trouxe o divã para a rua e flutuei sobre ele, pois a gravidade não me permitiu que estivesse completamente em contacto com a anatomia do móvel.
Divã, flutuação, só me podia lembrar a psicanálise.
E dou comigo a declamar em voz alta os factos & números que povoam o fantasma das reformas da segurança social. Não, ainda falta muito para me reformar e enquanto estiver no mundo da lua, o tema jamais me afectará. Mas sem querer, começo a fazer ecoar pelo espaço as palavras que me saem pelo dispositivo da fala:
- Em 1980 existiam 3,8 portugueses activos por cada reformado. Hoje existem apenas 2,6;
- A carreira contributiva dos pensionistas actuais é, em média, de apenas 20 anos;
- Há mais de 100 mil pessoas a trabalhar para além dos 65 anos de idade;
- Nos últimos 30 anos, a taxa de fecundidade caiu mais de 35 %;
- 31,2 % das famílias têm 1 filho e 42% não têm filhos.
Paro, reflicto e não desejo que esta seja “a via real para o inconsciente”.
Lembro-me de Sigmund Freud, que se fosse vivo completaria 150 anos e do povo português que pelo futuro que se avizinha, não faltará muito para entrar em histeria.

quarta-feira, maio 03, 2006

E Depois do Adeus

Aposto que muitos terão pensado, que por causa do mui pomposamente apresentado, programa Simplex, me teriam cortado as ligações com a Terra.
Mas não! O meu silêncio deveu-se sobretudo, porque as atenções desse nosso Portugal, estariam centradas nas comemorações do 25 de Abril e do 1º de Maio. E eu, patriota como sou, não queria que elas fossem desviadas para a Lua.
Bem sei, porque pude assistir aqui bem de longe, que os octogenários ex-habitantes de Belém, dormiam na tribuna VIP e que ou me enganam ou estariam completamente no mundo da lua. Alguém uma vez disse, que para adormecermos os bebés cantamos-lhes em voz melódica cantilenas e eles (os bebés) pela cadência das palavras acabam por adormecer. Ora, bem sabemos que a dicção do nosso Presidente permite que o seu discurso se torne numa canção de embalar e que se os bebés adormecem, os velhinhos que são bebes duas vezes, mais depressa o fazem.
Cada vez mais verifico, que os portugas esperam ansiosamente, pelos feriados. Louvar-se-ia se todos soubessem o que significam, e se disponibilizassem para os comemorar.
Afinal, o que conta é se eles (os feriados) no calendário “calham” a uma sexta feira, a uma segunda ou a uma quinta ou terça feiras. E lá partem “com a carga pronta e metida nos contentores” em direcção, na sua maioria, para as praias algarvias.
Com tantas “pontes”, ainda pensei que alguém me viesse visitar. Falhei redondamente, pois segundo sei, o “shutlle” da Virgin, ainda não está disponível, portanto não era de todo possível.
Assim, e porque enquanto tudo aí em baixo acontecia, acabei por dar comigo nostalgicamente a questionar-me:
“ Quis saber quem sou…. O que faço aqui… Quem me abandonou… De quem me esqueci… Perguntei por mim…. Quis saber de nós…”

terça-feira, abril 18, 2006

Muiiiiito Pequeno!

- “Alô nave 100 Nome, aqui Terra escuto!”
- “ Se me está a ouvir, diga, por favor!”
- “ Responda… se me ouve…. Escuto!”
Após tanta insistência e estando eu a tentar registar as ultimas imagens do planeta Vénus, enviadas pela sonda espacial europeia, lá respondi, pois não escondo que estou ansioso por notícias da Terra.
-“ Okay…aqui nave 100 Nome a responder…. Escuto!”
-“ Uffffff…Lua pensei que tinha ido de férias de Páscoa… Escuto!”
-“ Eheheheh…para onde? Para o Luagarve? Para o Luasil? Para Lua-Cana?...Escuto!”
-“ Pois, tem razão!…mas sabe o que aconteceu aqui com os representantes eleitos deste país?"
-" Não...."
-" 119 deputados desta Nação de brandos costumes, decidiu ir de férias mais cedo e a Assembleia da Republica não conseguiu tomar qualquer decisão, porque não havia quase ninguém no hemiciclo… e como não respondia aí de cima…pensei que o mal já tinha chegado à Lua! Escuto!”
-“ Não me diga… então parafraseando o anúncio publicitário de um banco (sim! Porque aqui também chega a TV via Internet!) é nestes detalhes que o "spread" (leia-se confiança nos políticos) em Portugal continua ser …” Muiiiiiito Pequeno! “

quarta-feira, abril 12, 2006

Sonhei

Hoje acordei, e como tantas vezes nos acontece, não me queria desprender do sono que me embalava na delicia da vida terrena.
Raramente me lembro, mas como toda a gente, também sonho.
Estar aqui no mundo da lua, longe e isolado há já algum tempo, faz com que o meu subconsciente, pela primeira vez, sinta saudades das coisas boas do planeta azul.
E sonhei. Sonhei que juntamente com o meu amigo Luís Manuel, (companheiro de muitas jornadas) entravamos pela Quinta das Lágrimas, onde nos esperava um soberbo espectáculo, em três actos.
Num primeiro Acto, no palco que já foi de Inês e Pedro, fomos recebidos, pelos aperitivos do Chef Albano, ao som de um rosé Ázeo de 2005 e um porto branco meio seco da Quinta da Casa Amarela.
Dois dedos de conversa com outros convidados, e já uma mesa redonda sorria com os diversos copos “ riedel “ dispostos a preceito para receber os próximos néctares.
Fomos nos sentando. Aparecem, uma salada de peixe-espada preto fumado com folhas soltas de primavera, em aroma de pistachios, divinamente empratado, acompanhado com um Ázeo branco de 2004. Os sentidos estavam a começar a bailar no prazer dos corpos, quando o chefe de mesa faz entrar os actores seguintes: Raviolis de bochecha de porco em molho de zimbro, devidamente casados com dois tintos, um da Quinta Amarela de 2003 e um Ázeo de 2004. Conversava-se sobre os dotes e os sabores das bebidas, e da magnífica arte do Chef Albano, quando num bailado no silêncio de olhos felizes, aparecem uns medalhões de vitela com legumes, polenta de favas e molho de vinho Casa Amarela, sublinhados por uma reserva de 2003 da Quinta da Casa Amarela.
Tinha acabado o segundo Acto.
Foram ouvidas palmas para quem produziu tão sublimes papeis, depois das devidas apresentações. E o espectáculo ainda não tinha acabado. Faltava o último acto.
Os aromas doces pairaram no ar, com a entrada em cena de umas peras bêbadas com queijo e tostas de pão-de-ló. Apareceu uma garrafa de porto da Quinta Amarela com 10 anos.
E para acabar em apoteose, um soufflé de chocolate com creme de morangos, enfeitou de uma forma plástica o palco da noite, servido com um port reserve da Casa Amarela.
Irromperam de novo,as palmas para nova entrada dos actores, mas estes em substituição mandaram umas deliciosas amêndoas de chocolate, com diversas coberturas, antecipando a época que se aproxima.
Acordei. Lembrei-me de Descartes e disse para comigo: será que sonhei?Só pode ter sido uma intuição.

sábado, abril 01, 2006

Eclipse

Na quarta-feira da semana passada a Lua entrepôs-se entre o Sol e a Terra, escurecendo assim o planeta azul, por alguns instantes. Eu, como é óbvio aqui em cima não me apercebi do fenómeno. Tomei conhecimento dele, através do contacto com a Base. Informaram-me também que o tempo que fazia aí, nesse rectângulo à beira mar plantado, não era de Primavera, mas sim de um Inverno tardio.
Como os portugueses não tiveram oportunidade de apreciar o fenómeno, pelo dia nublado que se apresentava, logo o governo, pela voz do Sr. Primeiro-ministro, decidiu aproveitar o acontecimento, para provocar ele próprio um, por forma que todos o vissem e o sentissem.
Primeiro, começou por encerrar escolas primárias e maternidades, eclipsando-as das populações que serviam. Depois, para que o espanto não tivesse o impacto de provocar contestações, ficou decidido extinguir organismos estatais, alguns do próprio governo, eclipsando de uma assentada 187 organismos.
Aproveitando a boa influência dos astros, ou seja do fenómeno, numa apresentação digna de uma boa campanha comercial, o Sr. Primeiro-ministro, apresentou por fim o programa “Simplex “. Ficamos a saber que o governo vai eclipsar, por exemplo, o papel do Diário da Republica, a papelada das candidaturas ao ensino superior e de outras rotinas que a asfixiante burocracia teima em atormentar o povo luso.
É caso para perguntar: Quando teremos outro eclipse?

terça-feira, março 28, 2006

Lunalização

Aproximo-me da porta do meu iglo lunar e olho o horizonte a espraiar-se pelas crateras e relevo acidentado da superfície lunar.
Tentando manter-me em pé, forço o equilíbrio, enquanto a memória me envia para o que tinha lido dias antes: “A China em 2017 e os EUA em 2018, vão enviar humanos” …para esta bola branca e acinzentada.
Começo logo a imaginar a construção de uma China Town, com os inevitáveis restaurantes chineses, lojas que vendem todas as bugigangas, requixós lunares para transportar os turistas do espaço, vendedores ambulantes gritando: "glabatas" e os transeuntes rindo, por não saber a sua utilidade em tão inóspito lugar.
Mas para os chineses, um problema vai ser colocado. Pois segundo a sua cultura, tudo o que anda mexe ou voa, é comestível, ora aqui parece-me que vão estar condenados ao insucesso.
No ano seguinte virão os americanos. Com eles a Macdonald’s, a Burguer king e todas as fábricas de comida de plástico. Aqui neste ponto, e pela força que caracteriza estas empresas, com provas dadas na Terra, serão as que vão pegar de estaca. Pois comida de plástico é o tipo de alimentação indicada para um sitio, onde não se pode produzir comida biológica. Virão depois a Pepsi e a Coca Cola, com as mais variadas invenções da terra do tio Sam.
Por certo construirão mais uma Meca do Cinema, para realização de filmes adequados ao espaço e ás galáxias envolventes, a que darão o provável nome de : Hollymoon!
Mas, antes que cá cheguem, eu vou continuar a desfrutar deste Mundo da Lua, pois,esgotada que está a cruzada no globo terrestre, com tudo que tem de bom e especialmente tem de mau, vai chegar Lunalização!